deliríos alucinógenos e opiniões flamejantes de um urbanoide terceiromundista de pé na lama e sintonia no mundo
DjangoBroder é o dia a dia delirante de um habitante da selva de pedra tropical do terceiro mundo. Anarquista de pé na areia e antena no mundo. Dedando o olho da mediocridade e hipocrisia, Besando e mordendo as belas coisas da vida... _\|/_
Então... Tem essas minas, Vanessonic e Raquel Flores, duas malucas, que tocam a Flores, pilharam em produzir a coleção Tarja Preta. O maneiro é que elas começaram fazendo customização, têm um discurso responsa a respeito de moda alternativa, reciclagem e outros babados aê. A coleção tarja Preta tá sendo toda ilustrada por nossos colaboradores como o Juca, Zé Colméia, Allan Sieber, Rafael Adorjan, Arnaldo Branco, Johandson, Dúnia, Brutal Crew, Pedro de Luna e outros bichos...
Como neguinho tá desenhando direto no tecido, essas peças vão ser ultra exclusivas e originais. O lançamento da coleção rola dia 12 de julho no Bolacheiro, uma lojinha na Francisco Muratorri 2, L.A.P.A. Nesse dia rola também exibição dos vídeos de animação da Tarja Preta e outros lokis. As roupas vão estar a venda e a renda vai ser investida na impressão da revista Tarja Preta que vai tar rolando em algum momento deste segundo semestre. Aparece por lá!!!
Após um dia de produção Neguinho pinta lá em casa, checa o e-mail, testa uns filtros do After Effects em cima de umas imagens no Final Cut Pro e pede pra tomar banho, usa o desodorante Polo RL que ganhei da família alguns anos atrás e espera eu me arrumar. Quando coloco o relógio vagabundo que veio de brinde com um estojo de maquiagem que minha mãe comprou no freeshop ele manda a pérola.
- Presta um relógio aê!!!
- Só tenho esse mané… Mas pra que que tu quer um relógio emprestado!? Tá com pressa!???
- Nada… Queria só tirar uma onda mermo…
Aquele papo de sempre, quem nunca teve é o que mais tem, enquanto um burguesinho que nem eu se recusa a comprar um relógio que ostente, contentando-se com um brinde, mesmo que seja do freeshop, onde a galera torra as últimas doletas de suas viagens internacionais. Eu tentava enfiar na cabeça do moleque que ele não precisava dessas merdas de ostentação, porque o que o fazia querido entre a “galera do camarim” era justamente o contrário, afinal ele não precisava agradar playboy. Mas o sistema é foda. Ouro não foi feito pra festir os ricos e poderosos, mas sim pra fazer brilhar os olhos e instigar os miseráveis, lamentavelmente consumir é sinal de status e poder na nossa sociedade podre, no país que escraviza o mundo é até ideal de vida – o tal do sonho americano.
Ontem o cara me ligou, queria passar em casa e devolver meu diskmen e um par de CDs de Rap, eu tava curtindo uma sacanagem de dia dos namorados e falei que não dava.
- Tá firmão! Amanhã de tarde eu passo aê! A gente liga pro Lauro e vai curtir o show do Rappa!
Amanhã todos o nome dele vai tar em todos os jornais. Todo mundo vai cair de pau. Vão relembrar o “Pixote” e aproveitar pra esmigalhar o cinema nacional, que leva pedrada de todos os lados, seja quando se propõe a fazer algo pelo “social” ou algo “alienado”. Vão falar que favelado não tem jeito, que favelado joga no lixo todas as oportunidades e por consequência todas as ONGs que proporcionam alternativas pra essa molecada vão arder junto na fogueira. Mas o que ninguém sabe é que o Neguinho tava querendo só “fazer uma presença” pra galera do camarim…
O Festival rola entre os dias 1 e 5 de Julho no Teatro Treze de Maio em Santa Maria no Rio Grande do Sul. Matias Maxx e Garoto Juca, os diretores do filme certamente não perderão a oportunidade de comparecer a essa “boa”. Mais informações em breve. Se você é de Santa Maria não deixe de conferir a mostra e dar um alô! -- Matias Maxx, 6/09/2003 09:37:00 PM