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Leitura Alucinógena

Leitura Alucinógena,

Terminei a pouco a leitura do livro " O índio e as plantas alucinógenas - Plantas alucinógenas, excitantes narcóticas e psicodélicas" De Sangirardi Jr, Editora Alhambra, 1983 ( para bom entendedor, você só irá encontrar este livro em um Sebo ). Digo apenas o seguinte : Leitura mais que recomendável.

Como o título denuncia, esta obra é sobre o uso de plantas psicoativas pelos índios americanos ( entende-se aqui os habitantes nativos do continente Americano ) relatando o uso destas diferentes substâncias desde o norte do Rio Grande onde hoje é o Estados Unidos, passando por todo o México, América central, Caribe e América do sul, onde se destacam as regiões andina, amazônica e o nordeste Brasileiro.

Vamos trocar em miúdos. Temos aqui capítulos sobre as seguintes plantas de poder : Peyotl ou peyote, Oloiuhqui & Tlitlitzen, Mescal Beans & Colorines, Cogumelos, Pipiltzintzintli, Solanáceas, Fumo ou Tabaco, San Pedro, Paricá & Virola, Coca ou Ipadu, Ayahuasca, Caapi ou Yajé, e por ultimo Jurema.

Agora você se pergunta, que diabos isso quer dizer ? Eu lhe digo, estes são os nomes das diferentes plantas de poder ( que maioritariamente são psicodelicamente narcóticas ) que lhe transmitem conhecimento durante o seu transe. Não é a mesma coisa que se encharcar de chá de cogumelo em Mauá ou São Tomé das Letras, no meio de amigos bêbados, ou tomar um ácido para ficar muito louco em uma festa da hora muito louca. Estou falando de buscar a famosa expansão das portas da percepção, respeitando a planta que está a receber e permitir que seu poder toque sua alma. E isso meu velho, você não irá alcançar ficando muito louco de qualquer coisa que passar pela sua frente.

No geral a obra nos traz informações sobre a tradição de uso, preparo, lendas, ritos, forma de coleta, regiões de incidência e povos que utilizavam estas plantas. De forma não-droguenta o autor nos coloca em contato com os valores e crenças dos povos ameríndios, desde a pré-história, até o resultado do choque com a cultura Européia, em especial o Cristianismo.

Temos como fato recorrente o uso dos diferentes alucinógenos em situações específicas, sempre com um claro objetivo. E, geral a cura, rituais de iniciação, festas, preparativos para caçadas ou combates, adivinhação e outros.

A leitura acaba nos colocando de frente com os valores que foram taxados de demoníacos pelos missionários religiosos da tal colonização promovida pela Europa neste iluminado continente; Fato interessante de ser citado quando existem pessoas, neste exato momento comemorando a data deste choque de mundos.

Voltando ao livro ... sem duvida é o mais completo texto que já li em português sobre o tema ( Que apresenta vasta literatura em espanhol, francês e inglês ) e além disso, a pesquisa feita em documentos desde a chegada de Colombo a esse continente, passando por descritos dos religiosos, aventureiros, pesquisadores, cientistas ... Todos aqueles que vieram procurar desvenda este novo mundo.

Independente das plantas utilizadas, temos como fato comum a utilização destas para se comunicar com outros mundos, através do transe do xamã, ou no transe coletivo, buscando o beneficio de todos, a unidade e estabilidade do grupo.

Neste espaço tratarei ao longo do tempo de outros livros e temas mais específicos sobre esse assunto.

Até a próxima semana.


Ps. Em tempo, a poucos dias soube da morte de Terence Mackenna, um genial pensador psicodélico. Mackenna não se recuperou plenamente da intervenção cirúrgica no seu cérebro para a extração de um tumor.
Mackenna tem alguns de seus livros traduzidos aqui no Brasil, no momento recomendo O Retorno da Cultura Arcaica, lancado pela Record.
Por enquanto é só, no futuro uma matéria especial sobre o homem.


Paulo (pabraao@fedex.com)

O Índio e as Plantas Alucinógenas

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Para os cururus que trampam com comunicação.
Como um ano de mobilização da imprensa global foi capaz para acabar com 75 anos de atrocidade??? E as comemorações globais dos 500 anos de picaretagem? Aonde ficam?

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