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O drama timorense e o drama brasileiro
por Sérgio ávila Rizo 0 Geografia - USP (avilarizose@hotmail.com)
Quem acompanhou os noticiários internacionais dos últimos meses de 1999, observou o assassinato indiscriminado de seres humanos numa pequena ilha do Pacífico chamada Timor.
O drama desta ex-colônia portuguesa é aterrorizante e não se resume às poucas e inconsistentes linhas publicadas nos jornais brasileiros. Desde 1975 - ano em que foi deposto o regime ditatorial português colocando fim ao colonialismo - a violência faz parte do cotidiano timorense e resultou num significativo número de vítimas: cerca de 200.000.
Não estamos falando de mortes típicas de guerra (através de tiros ou bombas), mas sim de mortes causadas também pela fome e tortura (física e psicológica). Relatos de sobreviventes informaram o verdadeiro inferno promovido pelos militares indonésios, com direito a mutilações, violação de mulheres e crianças, tudo isso realizado geralmente nas aldeias, na frente dos familiares. Eram mulheres sendo estupradas na frente de seus maridos e filhos, homens sendo cruelmente torturados frente suas esposas e filhos. Se você acha que as últimas linhas foram muito fortes, então imagine agora vivenciar isto cotidianamente.
é meu amigo, isto ocorreu durante muito tempo e não começou ontem não, o que começou ontem foi o noticiário a respeito desta causa, mais precisamente em 1996, com o prêmio nobel da paz concedido a Ramos Horta e a D. Ximenes Belo por denunciarem o que o mundo não sabia que existia ou não queria saber que existia. Vale ressaltar a divulgação do plebiscito de 30 de agosto, onde 78,5% dos heróicos eleitores timorenses votaram a favor da independência, mesmo sofrendo represálias pelos grupos paramilitares indonésios.
Percebemos então o importante papel da imprensa para informar, conscientizar e promover a verdade. Desde 96 Timor começou paulatinamente a ganhar espaço na mídia, e assim inúmeros grupos de solidariedade começaram a se formar pelo mundo. Seria ingenuidade dizermos que a liberdade atual de Timor é expressamente produto da solidariedade internacional, pois estaríamos esquecendo as questões políticas, militares e econômicas que desencadearam a crise indonésia no final do ano passado, mas, com certeza, se não fosse a comunidade internacional auxiliando os timorenses na diáspora, divulgando a causa aos órgãos políticos competentes, talvez a pressão para a resolução do problema não fosse tanta, e os timorenses ainda estivessem sofrendo.
Porém, neste contexto, paíse de menor expressão internacional que o Brasil, foram muito mais importantes que a mídia brasileira que deixa muito a desejar, por exemplo: quando Xanana Gusmão e sua comitiva estiveram no Brasil, presenciei um enorme descaso da imprensa brazuca, quando numa entrevista coletiva no Memorial da América Latina (na noite de 1º de abril deste ano), observei a inexistência de jornalistas dos grandes veículos de informações brasileiros, tinha mais jornalista de jornais lusitanos e luso/brasileiros do que nossos patrícios.
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