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Le Boy
CLUBE DO BO(IO)LINHA

Tava quase tudo certo: marquei de sair com uma garota pra uma festa no Cine Íris e só estava aguardando a ligação de retorno. Quando ela ligou, recebi a proposta indecente: "Vamos pra Le Boy? Tô com uns amigos que querem ir pra lá..." Porra, o que eu vou fazer numa boate gay sendo hetero? "Tá com medo? Não se garante comigo?", ela desafiou. Pronto, mexeu com os meus brios. Vamos nessa!

Nos encontramos na porta da Bunker, boate de rock/techno separada da Le Boy apenas por um boteco pé-sujo, já adiantando pros amigos de lá que minha noitada não seria exatamente na casa da qual sou habituê. Tomei uma dose de melzinho pra encorajar e fui à luta, não sem antes dar aquele beijaço cinematográfico na menina bem na porta da boate, marcando território (não citarei o nome a pedido dela).

Logo na entrada, a surpresa. Perguntada sobre o preço do ingresso, a caixa candidamente responde pra garota: "Pra ele, 15 reais. Pra você, 30!" Mulher paga o dobro, já pensou se a moda pega? Tudo bem que dá direito a um drink, mas o objetivo da Le Boy não é atrair mulheres. Agora, verdade seja dita: a boate por dentro é realmente bonita: grande, dois andares, iluminação bacana e música eletrônica fora de padrões FM. E, claro, go-go boys dançando de sunguinha, gringos pra caramba e a bicharada solta porém comportada, pelo menos até as duas da manhã quando os mais sarados (maioria, inclusive) tiram a camisa e exibem os músculos. Entendeu agora porque mulher não é bem-vinda? Se bem que flagrei um casal de lésbicas no segundo andar, no corredor de acesso ao quartinho. Putz, o quartinho!!!

Bom, com esse nome dá pra se imaginar o que é o lugar. Segundo informações da minha garota, o quartinho é a terra de ninguém da Le Boy, onde tudo - eu falei TUDO - rola lá dentro. No fim do corredor de acesso tem um paredão onde rolam as preliminares e uma escadaria que desce e dá (opa) pro little room. Ali sim eu dei um belo amasso na garota, com direito a mão naquilo e aquilo na mão (só faltou o aquilo naquilo), dividindo espaço com os outros "casais". Pintou vontade de ir no banheiro. AíŠ

Eu já havia decidido logo na entrada: não iria ao banheiro nem que o Papa me pedisse de joelhos. E a garota me induzindo, afinal ela não teve problemas de ir (lógico). Tá bom, tá bom. Fui, mas quando cheguei na porta a fila de acesso mais parecia um corredor polonês. Voltei na hora. Ela continuou insistindo: "Porque você não vai no feminino?" E eu lá vou entrar em banheiro feminino? "Tem um monte de caras entrando". E realmente tinham uns que iam mesmo. Como bom cara-de-pau, entrei de manso e descobri que o banheiro feminino é individual: trancou a porta é só você lá dentro, ninguém mais entra. Dei minha sagrada mijadinha mas, antes de sair, deixei a tampa da privada levantada como todo bom macho.

Lá pras quatro horas o bicho começa a pegar: quem tá sozinho periga não ficar mais, mas diz a lenda que quando um não quer o outro não insiste (conselho que me foi dado quando fiquei sozinho esperando minha garota voltar do banheiro). Hora de ir embora, meti a mão numa taça gigante lotada de camisinhas e peguei umas filipetas da casa. O legal é que quando saí dei de cara com uma amiga da Bunker, que não perdoou: "Aí, saindo da Le Boy, hein?" "é, mas tenho garantias", respondi abraçado à garota.

Enfim, a Le Boy não é pra qualquer um mas também não deixa de ser uma boate normal, dirigida apenas para um público específico e sem preconceitos. Tanto é que reconheci o dono, o francês Gilles Lascar, logo na entrada e o cumprimentei: "Freqüento a Bunker aqui do lado, nunca vim aqui mas espero me divertir bastante". "Você vai se divertir", respondeu Gilles. E foi verdade. Pena que não encontrei nenhum conhecido lá dentro pra dar um flagraŠ

P.S.: Até agora não entendo porque a garota não foi dormir na minha casa!

 
 
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