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Sandyjunior e seus mullets

Escrevi pra 98 FM pedindo um emprego e ganhei um almoco com a Sandijunior. Foda-se, pelo menos era comida de graça. E eu não tinha uma refeicao decente desde o plano cruzado. O bigodudo do sarney tomou tudo o que eu tinha. Entrou numa que eu era espiao e o caralho. Me trancafiou na despensa da casa dele. passei 11 anos la, comendo farinha de tapioca, dormindo dentro de um barril, que nem o Chaves. Mas isso não vem ao caso. Meu negócio é com a Sandijunior.

Chegando lá descobri que tinha um moleque pentelho na parada. Pinta de boiola o sujeito. Cabelinho escovado, roupinha engomada, cheio de perfume. Não olha pra mim assim, porra. Para de me manjar. Vai brincar lá fora. Te dou 5 cruzeiros pra tu comprar um Mirabel. Me deixa com a Sandijunior aqui. Vê uma bebida aqui pra mesa. Vamos encher a cara, menina. Não quer? Tá bom, eu bebo sozinho. E esse muleque safado, o que ta fazendo ainda aqui? Sai fora, mermao! Quer bater uma disputa, quer ver quem tem o pau maior? Olha ai, disse depois de colocar o dito cujo em cima de um prato de salada, quero ver voce barrar! Ai o moleque foi e colocou o negocio dele em cima da cesta de paes. Putz, era um negocio enorme. Parecia uma jiboia cor-de-rosa. O meu negocio era um chitãozinho perto do xororó dele. Quando o restaurante viu aquele negócio fez-se um silêncio. Ninguém mais comia, ninguém mais falava porra nenhuma. Todo mundo de olho no pau do guri. E de repente veio aquilo: uma salva de palmas pro piru do moleque. Nunca vi isso. As pessoas brindavam em homenagem àquele pau. Foi entao que eu botei o meu negocio pra dentro e sai com as duas cabeças baixas.


putaquepariumeugatoposumovogatonãopõeovoputaquepariudenovo


Estava a um passo da loucura. O que me salvava eram as visitas do meu velho amigo Maneu, um bode voador que batia aqui na janela do 15o andar de vez em quando. Gente boa o Maneu. Trazia cerveja, cigarros, pornografia e uma edição do Globo de três dias atrás. E então a gente sentava numa mesa, botava um vinil do Johnny Mathis pra tocar e ficava jogando poker durante a madrugada. A única coisa que me deixava grilado era que o Maneu ás vezes entrava numa de chamar de pai e o cacete. Achava que eu era o coroa dele e ficava me cobrando: - "Por que você nunca me levou ao circo?" Ai eu passava uma cerveja pra ele e o Maneu sossegava. So que de vez em quando ele voltava com umas perguntas do tipo: - "O que é melhor, Aspirina ou Tilenol?". Se desse a reposta errada o cara ficava puto e saia pela janela. Mas se falasse o que ele queria ouvir, a gente colocava o vinil do Footloose e ficava dançando até de manhã. E assim a gente passava as noites. Eu e Maneu, Maneu e eu.


O nome do sujeito era Henrique, mas a gente chamava ele de Seu Agenor. O cara não ligava. Gostava de aliciar crianças com balas de menta. Trancava elas num porão escuro durante meses, obrigando-as a chamá-lo de "el papá". Mas nem por isso era um mal sujeito. Tanto é que eu costumava passar em seu bar para me aconselhar com ele. O velho sabia das coisas. Fazia pinturas com o dedo, todas com temas eróticos. Expunha as mais altas pornografias no seu bar. Pênis, cachaça, vaginas, x-tudo, 69, drops, sexo oral e picolé. Tinha uma televisão preto e branco que só pegava o SBT. Tinha um cachorro vira-lata que tentava fazer sexo com a minha perna. Tinha um inseto no cabelo do Seu Agenor. Tinha um telefone que não dava linha e um fliperama que engolia fichas. Tinha um calendário desbotado de 1994. Tinha um primo meu de 2o grau com que eu nunca falei. Tinha um periquito morto dentro de uma gaiola. Tinha um anão cabeludo cantando "My Way" em cima da bancada. Tinha 3 ou 4 coisas sobre as quais eu não gostaria de falar. E só.



Pedro Ivo (pedro@2pg.com) é arquiteto de informação, tem 22 anos estuda publicidade e diz que tem ascendência Européia (apesar de morar Niterói).


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