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Cucaracha Zine |
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Agora, prestes a lançar um disco novo essa é a primeira turnê de clandestino, lançado no final de 1998, e no entanto ela é relativamente e curta e você não está tocando em Buenos Aires. Porque?
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Manu Chao |
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Resolvi voltar a fazer shows, daí montei esta banda há quinze dias e resolvemos lançar-nos de turnê para ensaiar. Esta turnê é um ensaio. Nós inicialmente não viríamos à Argentina, mas como estávamos em Santiago de Chile e Mendoza é logo ao lado... Além disso tínhamos um compromisso com uma galera de Mendoza, um pacto feito há uns anos com o pessoal do Karamelo Santo, que tinham nos falado muito de Mendoza, daí como estávamos à dois passos resolvemos ir-nos. E como temos um Rosarino na banda fica difícil não vir à Rosario. E esse foi o motivo, não tem outra razão. Também não fomos ao Uruguay, não fomos ao Brasil, também não fomos à Venezuela.... Queríamos ficar mais tempo, mas todo mundo na banda tem outros compromissos. Mas em Setembro sairemos novamente de turnê e desta vez com bastante tempo... Foi uma decisão mais geográfica do que outra... Como entravamos por Chile era natural ir a Mendoza.
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Cucaracha Zine |
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Você pretende fazer um show diferente hoje?
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Manu Chao |
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Sempre há imprevistos ainda bem...
(risos)
bem... a banda é a mesma, somos os mesmos, e suponho que sim, estivemos no México, estivemos no Peru, estivemos no Equador, Chile e agora Argentina. E bem o show foi melhorando, pouco à pouco, de data em data. E a base é basicamente a mesma. A banda montou-se em Barcelona, e estivemos ensaiando por quinze dias para preparar isto... y... y nada más! Ë uma banda nova né? A banda está de fraldas como dizem por aqui...
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Cucaracha Zine |
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Você acha que a arte tem que Ter um compromisso com a política?
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Manu Chao |
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Eu acho que a arte pertence a qualquer um e que qualquer um faça a sua arte como der vontade. Não se pode impor à um artista qualquer regra. Se algum quer fazer política com sua arte, como eu faço, tudo bem! Se alguém Não necessita ou não quer fazê-lo, ok, se respeita. Não se deve obrigar nada a ninguém na arte. A arte pertence a qualquer um.
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Cucaracha Zine |
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Manu, porque tudo é mentira neste mundo?
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Manu Chao |
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(pausa...)
Porque há muita mentira por aí solta, e cada vez mais né? Cada dia que você acorda há muitas mais mentiras que verdades. E o mundo atualmente e a economia mundial está regendo o mundo trabalhando muitíssimo mnj com a mentira...
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Cucaracha Zine |
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Fale-nos um pouco de seu projeto: "La Feira de las mentiras"
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Manu Chao |
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É um festival de circo do ano dois mil diria eu... E trata de dinamizar o que trabalhamos ai dentro, trabalhando com essas milhares de mentiras por aí soltas. Para mim a feira das mentiras é o mundo de hoje. Essa é a verdades.
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Cucaracha Zine |
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Uma vez numa entrevista você se definiu como um "jornalista musical", porque?
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Manu Chao |
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É como eu gosto cada vez mais de trabalhar... Trabalhar como jornalista... As notas, as notícias se fazem ao dia seguinte não? Não se espera um ano para publicar uma nota né? Senão você vai publicá-las caducas não? E cada vez mais eu gosto de trabalhar assim. Tentar gravara as músicas no momento, enquanto se escrevem e Ter a canção pronta, ou qualquer coisa, um poema, um imagem o que seja. Mas tê-lo pronto no momento, e ser como um pequeno polaroid, do que as pessoas me ensinam, do que aprendi nos lugares aonde fui. Eu tento o mais possível reproduzir a informação que deram a mim, para em seguida passá-la à outros.
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Cucaracha Zine |
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Estava lendo uma nota que saiu no jornal hoje aonde você dizia que "Marcos é uma das luzes mais interessantes e inspiradoras que você vê nestes tempos."...
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Manu Chao |
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Desde o princípio estamos bem por dentro e muito interessados do que ocorre em Chiapas. É uma das poucas mensagens não mentirosos que nos chega do mundo e o psitivo é que com os muito anos de luta em Chiapas, para mim, até hoje em dia desde o princípio a mensagem não se há distorcido. Para mim só há chegado uma mensagem nobre. E até hoje desde o principio estamos completamente com eles para o que seja! Sempre que nos necessitem, aí estamos.
Pouco a pouco creio que as coisas estão mudando, esta turnê pela América Latina foi realmente bastante esperançadora. Todos os países que chegamos estavam com uma situação política ou social bastante difícil, e primeira vez em anos estou percebendo que as pessoas estão juntando-se e protestando de uma maneira muito mais natural. De pouco a pouco... você vê todas essas manifestações, como a dos estudantes do méxico que foram reprimidos recentemente e estudantes por toda América Latina que estão lutando por um ensino de melhor qualidade e mais barato, por uma universidade livre e sobretudo gratuita, ou pelo menos cara possível. E nesse sentido está se juntando muita gente. Tocamos por exemplo na "Plaza del Zocalo" (a maior praça do mundo, na cidade do México), um concerto gratuito em frente ao palácio do governo para cento e cinquenta mil pessoas, e não só para ver o grupo. Pois o show era em solidariedade aos Estudantes da União Nacional dos Estudantes, que é um frente de guerra muito importante. Pois todos os países do mundo estão tentando mais e mais que a educação e o "entrar numa faculdade" esteja reservado cada vez mais para uma elite. E aí está uma frente de luta muito importante para o futuro. Ao mesmo tempo que a represão do Exército à estes estudantes recentemente foi apenas um pequeno ensaio para quando eles entrarem em Chiapas. Para ver como reaciona as pessoas e a opinião pública. É uma frente de luta muito importante e muitíssima gente no México está antenada. Mas o mais importante é que esses estudantes partiram para o frente. Para a luta, largaram aquela disputa de anos para ver que representa o movimento, ou como vai funcionar isto e aquilo. Aquelas disputas internas aonde em noventa por cento dos casos a coisa vai para o caralho. É ótimo que as pessoas estejam aos poucos deixando essas pequenas lutas, e reservando mais tempo e mais energia para lutar e não ficar disputando quem representa o que internamente sem lutar contra quem deveríamos realmente lutar. Isso está mudando, essa é a grande força.
Também está rolando um levantamento indígena importantíssimo. Estes levantamentos sejam no Equador ou na Bolívia são levantamentos massivo. Nesses casos as regras são mais cruas, Não é um levantamento propriamente político, é que aí a gente já não pode mais! Chegamos à um ponto de não-aguante do povo que vive condições de vida inaguantáveis.
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Cucaracha Zine |
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Quando ainda existia a Mano Negra você viveu momentos muito intensos no "tren de hielo y fuego". Sabemos que você quer repetir isso na África, como vai ser?
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Manu Chao |
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Bem, repetir é impossível, digamos que estamos com projetos de várias aventuras no mesmo estilo. E digamos que agora temos planos de fazer algo parecido na África, sob quais condições não posso te dizer por agora. Também é muito difícil, A África é muito mais complicada que a América Latina. E além disso não há dinheiro, e é difícil buscar algo mais digamos assim... extravagante pois é difícil reunir recursos. Mas está estimando-se que nossa próxima turnê, depois desta, seria pela Africa. Justamente para entrar aí, preparar o terreno, fazer contatos, para poder depois juntar isso tudo e fazer algo diferente.
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Cucaracha Zine |
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O que te interessa na Africa?
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Manu Chao |
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É uma pergunta ampla...
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Cucaracha Zine |
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Sim... mas porque? E por onde?
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Manu Chao |
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Bem... da Africa não diga-mos nem a questão musical que ai aprender de música é como... é um tesouro a nível de música e trabalhar a música. A América Latina. O que eu mais aprendi na Africa, e também na América Latina a nível de música é passar um pouco desse sistema que não tenho mais mas já tive, essas coisas de grupo de rock, de trancar-se meses num estúdio ensaiando, ensaiando, ensaiando algo que será sempre a mesma coisa. Que começa assim (barulho de contratempo)... E na América Latina você aprende a fazer a coisa um pouco mais solta. E trabalhar um pouco mais com a sonoridade, do que trabalhar com apenas uma versão bem aprendida. A nível de música é o que mais se destaca. Há mais milhares de motivos. Mas basicamente sempre é bom sair de casa e ir à tocar e conhecer lugares diferentes do seu. Para isso a África para nós será o máximo. Os tempos que vivi aí me foram-me uma escola de vida muito importante, logo quando voltas a seu país vês as coisas de outro angulo.
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Cucaracha Zine |
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Você esteve viajando pelo nordeste brasileiro atrás de repentistas para levar à Feira de Las mentiras. Queria que você nos contasse um pouco dessa experiência.
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Manu Chao |
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Bem, eu estive bastante pelo nordeste, pulando de "buraco" em "buraco" e tive a sorte de conhecer toda essa gente que são os Repentistas. Que tem a ver com o que estávamos falando, de ser gente que cria sua música na hora. Gente que está apresentando uma arte totalmente improvisada. Para mim, isso de improvisar música é meio natural e fácil para mim, mas essa genet que consegue improvisar letra no momento é para mim uma arte muito valiosa. Sinceramente para mim são gênios. Eu subo ao palco tenatndo Ter minhas letras bem aprendidinhas, eu mais ou menos tento aprender minhas canções, mas essa gente sobe aos palcos sem saber o que dizer, é improvisado sobre essa camêra ou a cara de um ou de outro.
Aprendi muito com essa gente, o da improvisação. E tomei muita cachaça!
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Cucaracha Zine |
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Você pretende cantar alguma outra música em português nos próximos discos?
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Manu Chao |
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Ao português eu não chego, até o portunhol sim, mas sim me encanta. Adoro a sonoridade, gosto muito de escrever músicas em portunhol.
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Cucaracha Zine |
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Depois dessas revoltas todas. Dessas manifestações todas, o que você acha quem por aí?
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Manu Chao |
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Se você souber me avisa Tá?
(risos)
Não sei... é impossível, estamos vivendo num mundo aonde fazer previsões à longo ou médio prazo tornou-se algo muito perigoso não? Cada vez as coisas vão mais rápido. É muito difícil para mim projetar-me daqui a um ano, seja relativo à minha vida ou ao mundo em geral. É que estamos num mundo e numa situação social e econômica aonde já pode acontecer qualquer coisa. É muito difícil para mim saber o que vai passar no mundo daqui a dois anos... Não faço idéia... o único que eu sei é que haverão mudanças, isso sim, a situação está insustentável. Alguma coisa vai quebrar por aí, as coisas não podem continuar do jeito que está. Agora por onde sairá o tiro é algo muito difícil de prever. Digamos que nos dois últimos anos estão brotando as fores da esperança de que as mudanças que haverão serão para o lado positivo. Lamentavelmente também há muitíssimas razões para pensar que pode ir pro lado negativo também. Cada vez mais há radicalização nas idéias e mais gente que está pregando coisas que remetem à idade média. Como más interpretações das religiões por exemplo. Movimentos extremistas... Muita gente no mundo está muy perdida ¿no? EnTao creio que o grande perigo é que o terreno está muito, muito bem preparado para os populistas. Esse é o grande perigo, sejam populistas políticos ou populistas religiosos...
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Cucaracha Zine |
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E por onde você acha que passa a solução?
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Manu Chao |
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A solução está brotando ainda. Muita gente ainda etsá começando a Ter consciência disso. Que o problema é muito global, muita gente está consciente disso. Que os problemas estão muito graves e que cada um a seu nível tem de fazer sua pequena revolução pessoal. E eu penso nisso, eu sonho com isso, espero ver isso, milhares e milhares de revoluções pessoais. Está chegando... Existem várias maneiras de mudar o sistema, mas todas partem de uma revolução de cada um. Tem muita gente que eu vejo fazendo grandes discursos políticos mas que no entanto chega em casa e bate na mulher. E não é por aí...
Estamos num período complicado, entre a locura suicida da economia e do sistema. E para mim está muito claro que se as coisas continuam por aí não haverá muito futuro ao planeta daqui a trinta, quarenta anos. E por um outro lado há também o instinto básico de preservação do ser humano.
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Cucaracha Zine |
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Um jornal Rosarino publicou hoje sua foto na capa do caderno de cultura com a frase: "A chegada de um Francês rebelde". Te incomoda que te entitulem assim?
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Manu Chao |
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Bem... para a imprensa eu digo de tudo...
Que me chamem assim ou assado, já não depende muito de mim. Que as pessoas digam o que quiserem... Francês? Sou francês de passaporte. Logo praticamente sou francês. Então...
Rebelde? Não sei... à minha maneira, na minha vida sempre fiz as coisas da maneira que parecia ser mais importante para mim. Das maneiras que me parecem mais corretas. Eu não sei se isso é rebeldia...
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Cucaracha Zine |
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E é Anarquia?
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Manu Chao |
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Anarquia é uma palavra muito ampla também, aí entra de tudo!
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Cucaracha Zine |
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Eu me refiro pelo caótico...
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Manu Chao |
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Eu vivo de uma maneira meio caótica sim... Minha única barreira é que essa minha maneira caótica de viver não incomode a ninguém. Minha rebeldia ou anarquia termina em frente ao respeito com os outros.
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Cucaracha Zine |
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Como foi feito o contato com Tato (o guiatarista Rosarino da Radio Bemba)
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Manu Chao |
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O ligar foi Barcelona, eu já estou vivendo há um ano e meio lá. Mais ou menos o mesmo tempo que Tato. E nos conhecemos, e também a muita gente de Rosario e da Argentina em geral que está vivendo em Barcelona. Muita gente da ruas, e bem, aí nos conhecemos. E sempre juntava-mos a banda para tocar à tarde na ponte ou em algum barzinho por aí...
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Cucaracha Zine |
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Uma vez te perguntaram acerca da reformulação do Mano Negra e você disse que era impossível por uma causa justa: O avanço da extrema-direita na Europa.
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Manu Chao |
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A reformulação do Mano Negra... Não... Para que? A Mano Negra está... Bem... Ela está viva... na minha lembrança, é um orgulhaço Ter participado da Mano Negra, que segue viva na lembrança de muita gente. Mas o que importa agora é o futuro... Uma reformulação do Mano Negra? Pra que? Estamos seguindo lutando cada um de sua maneira...E temos certas armas para lutar e não sei...
E reformulá-la para combater a extrema direita... Não o necessitamos, não creio que para isso seja necessário reformular o Mano Negra... o que importa é o dia de hoje. Podemos fazer cada um de sua maneira.
Como disse antes, um grande problema dos dias de hoje é que está havendo uma radicalização das pessoas, e não só dos partidos de extrema direita como se costuma dizer, Na França está a Frente Nacional que é de extrema direita e teve muitíssimos votos, mas que está decaindo por Não apresentar uma proposta realmente convincente. Essa gente chegou a assumir postos, mas por não Ter propostas politicas reais estão decaindo. Mas há uma radicalização perigosa realmente. Mas eu me preucupo bem menos com o Frente Nacional Francês do que com todos os músculos que estão passando por um outro veículo que está transmitindo fortemente ideais de extrema direita: O futebol. Os mais grandes ativistas de extram direita na Europa estão nos campos de futebol. E isso é como eu faleiu antes nas universidades, há uma frente de luta nos campos de futebol também, só que de extrema-direita.
Há muitos movimentos de extrema direita que vivem, nascem, e se criam na quadra. E isso é muito mais preucupante, E já não são gente que votam em partidos mas pelo seu time, seu bairro.
Não há partido de extrema direita na espanha que consiga votos, provavelmente porque o Franquismo esteja muito perto ainda. No entanto a extrema-direita está correndo muitissimo nos campos de futebol. Tem muito facha no Brasa, tem muito facha no Real Madrid e em muitos outros times. E estes fascistas tomaram tanto as torcidas que nem os dirigentes dos clubes podem com eles. Creio que o mais exemplo disto é o casa da Iguslávia, aonde um assasino como Arkan, que exterminou vários sérvios-bósnios não recrutou seus paramilitares em ciclos paramilitares e sim nas torcidas e campos de futebol...
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Cucaracha Zine |
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Manu, o que é a Malegria?
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Manu Chao |
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(pausa demorada)
É a tristeza que se combate com a risada ou positivando. A Lágrima de Oro tem muito a ver com isso também. É uma maneira de tentar não se deixar derrubar pelos seus problemas. De estar sempre feliz e positivo. Isso eu aprendi muito nos bares e bairros da América Latina...
Para dar um exemplo, há um par de semanas estava no Chile e tive a oportunidade de poder visitar prisões de segurança máxima aonde estão encarcerados presos políticos, combatentes do frente XXXX. São gente que estão cumprindo penas de cem, cento e vinte anos. Eu sei que na Argentina também há garotos nessa situação. Tive a sorte de estar umas certas horas com eles, conversando e comentando o mundo...
É uma força positiva que eu encontrei nesse cenário terrível que é uma prisão de segurança máxima... Eles me deram uma imensa lição de vida... Isso sim é saber o que é a Malegría...
E para terminar isso dos presos políticos... No Chile está se falando muitisimo do caso Pinotchet, e se o vão julgar ou não... há uma sobreoinformação sobre o caso, o que é uma imensa hipocrisia, pois sabe-se que no final das contas isso vai alastra-se por anos e pinotchet vai acabar no máximo numa prisão domiciliar. Espero que não, espero que Pinotchet termine preso, mas tenho minhas dúvidas. Mas o importante a dizer é que se um dia Pinotchet chega a ser julgado, que ao seu lado se sente silla, que é igualmente responsável pela tragédia Chilena. A Segunda coisa: Já que Pinothect vai passar dois dias de sua vida na prisão, se é que um dia ele o passará, já seria uma imensa alegria, mas representa pouco, com todo o sangue que este tem nas mãos, mas se isso chega a acontecer, que soltem aos rapazes condenados a mais de cem, e que já compriram dez anos de pena.
Agora minha luta é essa: Pinotchet? Bem... ele vai passar dois dias de sua vida na prisão, tudo bem, mas deixem livres esses rapazes que já compriram mais de dez anos e que tem bem menos sangue nas mãos, se é que os tem...
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Cucaracha Zine |
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O que é Radio Bemba?
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Manu Chao |
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Radio Bemba é minha banda, meu coletivo. São os que me acompanham, é a radio Bemba que toca comigo, produz meus videoclipes, a direção de arte dos shows e dos discos...
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Cucaracha Zine |
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E como está o próximo disco? Como Vai se chamar?
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Manu Chao |
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Essa é a parte mais difícil, temos como quarenta músicas já gravadas e mixadas, resta decidir quais são as quinze ou desseseis que entrarão no disco, o nome ainda não está definido, é sempre o último, mas uma coisa é certa, em algum lugar levará o subtítulo: "Próxima Estacíon: ¡Esperanza!"
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Cucaracha Zine |
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Manu, qual sua opinião quanto o MP3s?
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Manu Chao |
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É uma maneira muito boa e ágil de trocar informações musicais de todo o mundo. As gravadoras estão muito assustadas e revoltadas, o que é ótimo.
É ótimo porque dessa maneira vão Ter de buscar alternativas para continuar vendendo discos, e a melhor de todas vai ser abaixar o preço dos discos. Nós estamos meio atrasados nesse sentido, uma vez que não temos uma página sequerm, mas uma das prioridades para quando voltarmos à Europa é preparar nossa home-page, aonde disponibilizaremos vários Mp3s inéditos.
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Cucaracha Zine |
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"Clandestino" é um disco muito pessoal, ele pertence ou trata de algum lugar em especial?
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Manu Chao |
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Meu disco foi gravado em vários lugares, o Estúdio Clandestino é um estúdio móvel, cada canção foi gravada em um lugar diferente. Seja em Barcelona, seja em paris, seja no Rio de Janeiro, aonde vivi por muito tempo nessa época, seja em Dakar. E as canções pertencem cada uma a um lugar. Mas nós nos demos conta que esse disco chegou a muita gente e cada gente o considerou seu. No entanto a maioria desas músicas não estão escritas num plano geral e sim falando de o que acontece numa cantina, ou numa viagem de maconha...
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Cucaracha Zine |
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Vocês pensam em lançar alguma coisa em Video? Como o que fizeram com o Mano Negra?
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Manu Chao |
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Sim, toda a vez que viajamos além de equipamentos de garvação sonora levamos também equipamentos de Video, para gravar visualmente. Temos uam camera digital na qual registramos os lugares e as pessoas que conhecemos, gostamos muito de registrar o momento. Estamos conscientes que em várias ocasiões temos o acesso à alto-voz, como agora, neste momento. E podemos passar muitíssima informação. E para nós o importante é compartir essa Alta-voz, não só falando do nosso, mas também deixar as pessoas que tem coisas pra dizer mas não tem acesso à alto-voz passar essas informações...
Mas quanto ao Video, para fazer esse video primeiro teremos de decupar as horas e horas e horas de material bruto e daí começar a trabalhar as coisas. Para isso é muito importante a Internet, pois podemos compilar bastante informação, para que as pessoas tenham acesso ao que quiserem. Estamos um pouco atrasados, por agora. Mas chegando na Europa vamos trabalhar nisso. No nosso site, mais que tudo, não haverá apenas informação sobre nós, Manu Chao e Radio Bemba, mas também sobre tudo que vimos e todas as pessoas que conhecimos. Tudo que nos parece interessante., para que o mundo conheça. Pois quando a informação é gerealizada ela chega muito filtrada, e dá um pouco de raiva não?
Para dizer do dia de hoje, em todas as televisões do mundo, da Europa, da América Latina há uma sobreinformação do caso Pinotchet ou do menino cubano, mas ninguém fala das pessoas que estão no cárcere cumprindo penas , ninguém fala de algo que para mim é a noticia mais grave desta viagem, pois está muito encoberta, que é a dolarização do Equador. O que é uma butrrada imensa. Isso na Europa não chega, ninguem fica sabendo disso. Está tudo tapado, e diria eu muito inteligentemente tapado, pelo caso do menino Elían ou o caso de Pinotchet. E logo Não se fala de coisas muito mais graves que são atuais, como o que aconteceu no Equador e para mim é a noticia mais grave desta viagem e que não chega na Europa por estar muito bem estudada.
A dolarizaçao só serve para criar um espaço maior entre as classes populares e a elite, de resto não serve para mais nada. Na dolarização que se fez na Argentina e no Brasil, rola um pelo púbico, um pequeno biquini... No Equador nem isso... Equador já não tem moeda. Não existe mais moeda nacional no Equador, só Dolár. Isso porque Equador não é Brasil nem Argentina. É um país pequenino pelo qual ninguém liga, Não se preocuparam de colocar uma tanga sequer no estupro. É um ato forte, duro e bruto do imperialismo. E já não se trata de um menino cubano só. Se trata de milhares e milhares de crianças...
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Cucaracha Zine |
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Você Não se sente um pouco comôdo de estar falado essas coisas todas e viver num país de primeiro mundo e Ter seu disco distribuido por uma multi-nacional?
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Manu Chao |
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Como acabei de dizer... Como temos acesso ao Alto-voz, seria um erro tremendo não utilizá-lo. Faz parte do nosso... Eu poderia estar numa cantina me embriagando... A Esta hora (aproximadamente 16:00) um submarino...
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Cucaracha Zine |
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Vamos... vamos... Manu, vejo que você leva um Bottom da organização HIJOS, qual sua relação com eles?
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Manu Chao |
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Bem minha relação com o HIJOS é muito boa, pois toda vez que vim à Argentina houve contato direto. Seja em Buenos Aires, em Mendoza onde a cone'xão se fez em seguida, seja aqui, agora. Admiro esse movimento e sua maneira de lutar, me parece muito inteligente. E como com o povo de Chiapas: O que pudermos fazer para ajudar os HIJOS o fazemos. Podemos apoiá-los, divulgar idéias. Em Mendoza nos deram muitíssima informação para divulgarmos por aí afora.
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Cucaracha Zine |
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Em toda América Latina temos democracias jovens, e parece que as coisas ainda não funcionam direito. Você já disse numa reportagem que as democracias não servem...
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Manu Chao |
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Não! Nunca disse que as democracias não servissem.. O que eu posso Ter dito é que a democracia no sentido da palavra eu nunca encontrei até hoje. O que acontece é que há uma hipocrisia tremenda na democracia e não só na América Latina, mas também na Africa... O mundo vai muito rádio, as coisas estão mudando à todo vapor. Quando me fazem essa pergunta "porque tudo é mentira", p bem eu digo então que a Democracia é uma grande mentira. Pois em muitos casos a Democracia está nas mãos da máfia, e gente que utiliza a democracia mas que não são democráticos. Nestes últimos anos, em mutisissimos países do mundo estamos baixo ditadura, não mais uma ditadura dos militares, mas uma ditadura das máfias. Uma ditadura muito discreta e mai inteligente que as antigas. As máfias estão cada dia dominando mais um pouco de tudo. Baixo o pseudo nome de Democracia. Porque as Máfias pelo mundo tem muito mais peso que os representantes políticos. Conheço pouscos países latinoamericanos onde o governo não é obrigado a negociar e antender exigências das máfias.
No México é evidente, creio que na Argentina também... É esse por exemplo um dos motivos pelo qual eu luto pela legalização de todas as drogas. Porque aí está a arma mais forte das máfias. E se não há legalização das drogas é porque daí saí muitíssimo dinheiro. Pois os mesmos que as proíbem são os que fazem dinheiro com isso. E isso gera muitissimo, mas muitissimo donheiro, dinheiro que alimenta essa ditadura moderna.
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Cucaracha Zine |
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Hoje, dia seis de maio está sendo realizada em Londres e em vários outros países uma marcha pela legalização da maconha, uma vez que este foi nomeado o dia internacional da luta pela legalização da maconha. Queria saber se você planeja algo de especial para este show.
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Manu Chao |
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Nós mais que um dia simbólico, estamos trabalhando no dia a dia. É mais um trabalho de comunicar informações todos os dias. Mas mesmo assim esse dia simbólico é importante, com todos os problemas no mundo pode parecer um pouco estranho organizar uma marcha pela legalização da maconha, mas eu acho muito importante, não tanto para fumar, porque fumar, qualquer um fuma. As drogas não estão legalizadas mas encontra-se drogas a cada esquina de cada escola. A dorga chega à juventude de qualquer maneira. Eu creio que o importante é tirar-lhes o negócio, pois o comércio de drogas gera muitíssimo dinheiro utilizado de maneira errada. Pois legalizada ou não estamos fumando todos. Mas vamos lutar pelo menos para o que fumamos não esteja dando dinheiro ao inimigo.
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Cucaracha Zine |
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Qual sua opinião acerca do movimento dos trabalhadores sem terra no Brasil?
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Manu Chao |
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mais ou menos o mesmo que eu falava do Equador, e Bolívia e os levantes indígenas. Já não é mais uma luta política, é uma luta de gente que já não agüenta mais. É uma luta obrigada dessa gente pela regra social, há de Ter lugar para se viver, há de poder dar de comer aos seus filhos. São lutas de não-aguante, chegamos. Está se explorando tanto as pessoas que estas estão se organizando em movimentos para salvar a vida.
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Cucaracha Zine |
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Porque encerrar a turnê em Rosário?
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Manu Chao |
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Porque havia de encerrá-la um dia. Íamos encerrar no Chile, mas tínhamos esse pacto com um pessoal de Medonza, e já que estávamos na argentina e tinhamos um Rosario na banda foi natural vir à Rosario.
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Cucaracha Zine |
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E quando voltam à Argentina?
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Manu Chao |
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Não sabemos, como já disse antes, o mundo é Tão complicado e imprevisível que nossa política é de não fazer previsões à longo prazo. Não gosto de fazer planos para os próximos anos pois não sei o que vai ser do mundo em breve. então a cada três meses decidimos a próxima etapa. Ainda não sabemos o que famos fazer, pelo ar estão os planos da turnê Africana, assim como os planos de terminar o disco, mas não há nenhuma decisão tomada por agora.
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Cucaracha Zine |
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O nome do seu próximo disco terá algo a ver com "Próxima Estacion Esperanza", você representa a Esperanza para muita gente, mas me diga, esperança de que?
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Manu Chao |
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Acredito que nas nossas viagens geramos esperança à muita gente. Ë o mais básico no que podemos coolaborar, pois mudar o mundo de uma vez só é complicado, pelo menos para mim. Mas trabalhamos muito a nível de bairro, quando chegamos a um bairro ou a uma comunidade com problemas, oferecemos forças e ajudamos no que for possível. Acho que aí está uma possível maneira de mudar as coisas, são pequenas coisas, contatos com a gente aonde voC6e mostra seu esttilo de vida e eles mostram os deles, e cruar um calorzinho não? E se um dia estivermos todos juntos, já não seremos um ou outro, seremos muitissimos. Para mim isso é esperança.
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Cucaracha Zine |
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Você e sua banda quer tocar em Africa, ainda não o fez, nem sabe se poderá fazê-lo. Mas no momento? O que fazem?
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Manu Chao |
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Neste momento estamos tocando e gravando pela América Latina, e fazendo algo que é muito importante, talvez até mais importante que os shows oficiais. Diria eu que isso até é uma desculpa, o melhor é ser convidado por pessoas, porque nunca se entra em algum lugar sem convite para fazer o que sabemos fazer, música, ou falar da esperança e o que se pode fazer. Algo mais é difícil. Não sei até que ponto servimos, mas estamos fazendo essas coisas todas, na África estamos pesquisando ainda o que poderemos fazer, vamos lá com a desculpa de fazer shows, e desde aí vamos gastar nossa energias explorando e vendo o que poderemos fazer.
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Cucaracha Zine |
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Você não acha que lançar um disco por uma multinacional e transmiti-lo nos meios de comunicação em massa o esvazia de seu conteúdo?
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Manu Chao |
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Eu Não creio que uma canção se esvazia quando chega aos meios de comunicação, não é por isso que se esvazia de seu conteúdo. Digamos que no momento que você lança um disco, esse disco já não te pertence, você não pode controlá-lo para nada. Se ninguém escuta ou se a MTV transmite, a música pertence à gente, apos ouvintes, eu não posso fazer nada, como vou controlar isso? Nem posso controlar que se esvazie de seu conteúdo, se esvazia de seu conteúdo, se esvazia de seu conteúdo, o que posso fazer eu? Mas para mim não se esvazia, isso é o que tá escrito, e sabendo o que isso representa para mim e para certa gente, não se esvazia de seu conteúdo. Não posso proibir ninguém de tocar meu disco, seja na televisão, ou na paróquia de um bairro. A partir daí se a passam, a passam.
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Cucaracha Zine |
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Você não teme torna-se um produto? Entrar na sociedade de consumo? "Compre Manu Chao por que ele diz coisas legais??"
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Manu Chao |
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Isso é um grande perigo, creio que hoje mensagens de rebeldia e tudo mais são um markenting potentissimo, e as gravadoras sabem muito bem disso. Rebeldia vende!
A única maneira de combater isso é tratar você mesmo de sua maneira de trabalhar, creio que a única possibilidade é que você mesmo, ao acordar não Ter vergonha de você mesmo. E o que você diz nas canções, tentar fazer, tentar por que nem sempre é fácil. Tentar viver da mesma maneira: "Entre lo dicho y lo echo el camino es derecho" é uma frase do Mano Negra. Creio que a base é essa, é trabalhar o disco, a partir do que você diz nas suas músicas, conciliar sua música e seu vício, pois minha música além de meu trabalho e minha felicidade é meu vício.
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Cucaracha Zine |
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E já te sacanearam alguma vez?
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Manu Chao |
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Muitíssimas vezes, digamos que assim como há momentos bons há tropeções. Ë bastante difícil, depois que seu disco está em muitos mercados, fica dificil controlar tudo. As vezes nos chateia as maneiras pela qual a gravadora tenta vender o disco, mas num plano general sabemos que fazemos parte da economia mundial, estamos vendendo discos por uma multinacional e estamos nessa. Também Não podemos dizer que somos o emblema da revolução, é uma mentira. Mas isso nos permite funcionar e divulgá-los, com o tempo já temos uma grande rede de informações e de contatos. É muito possível, e diria como ato político que daqui a pouco possuamos nossa própria companhia. As coisas já podem começar a trabalhar de maneiras diferentes, temos contatos com jornalistas do mundo todo, temos acesso a todo o mundo graças a internet. No futuro talvez não precisemos de gravadora...
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Cucaracha Zine |
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Então vocês trabalham dessa maneira (através de uma gravadora) por ser realmente a melhor via...
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Manu Chao |
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Não sei realmente se é por aí. Não sei se é realmente a melhor via. Há uma fronteira difícil nesse assunto. Desde que saímos da Europa até agora, quando me chega a imprensa, seja a imprensa digamos, conhecida ou a imprensa de fanzines a mim só me abordam com perguntas políticas. Em "Clandestino" com exceção de Marcos não há discursos políticos, é um disco que tem uma onda ativista política, mas é bem normal. Mas o curioso é que em todas as entrevistas nesta turnê perguntas musicais houveram pouquíssimas. E acaba-se tornando uma grande responsabilidade, tentar não dizer nenhuma burrada...
É muito, muito fácil chegar num show aonde a platéia está chateado e mandar um: "Viva Chiapas" para levantar o ânimo da gente. Isso é moleza, muitas bandas o fazem, mas tem que ser consciente com o que se diz não? Mas mais que tudo a força que eu tenho no momento, que me faz seguir adiante e lançar outro disco é que nunca dentro do meu trabalho tive tanta liberdade.
Eu tinha acabado com minha carreira musical, quando lancei clandestino, era como um disco para relaxar-me um pouco, lançar músicas que eram bem pessoais e dizer "chau, vou para a praia com minha mulher". E agora...
Não tenho plano de carreira, não me importa, posso feliz de milhares de outras maneiras... mas o que aconteceu? O disco gerou uma coisa tão bonita... que vale a pena seguir! Então minha força é um pouco essa, que se segue havendo essa força geral, se segue havendo intercâmbio de esperança... Se segue assim é que vamos continuar porque vale a pena.
Se eu chegar a um ponto de depender de marketing para vender um disco eu vou procurar outra coisa para fazer, pois tenho milhares de outros projetos artísticos não-musicais.
Minha liberdade é essa, é Não ficar nessa de vender ou não vender... Com "Clandestino" eu tive uma resposta das pessoas, do público, que eu nunca tive na minha vida... Isso é algo muito forte, digamos que é ternura, a ternura não é isso? Isso é fabuloso...
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Cucaracha Zine |
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Vocês usam mutos samplers de Radio e Televisão, já tiveram algum problema com isso?
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Manu Chao |
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Digamos que somos ladrões de carro dos bons! ;)
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