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Nas últimas semanas tenho me surpreendido com a quantidade de colegas que trocaram seu emprego em empresas convencionais por sites de música digital. Tudo bem, o negócio é super legal, as bandas podem comercializar seus produtos, distribuir suas músicas e até mesmo seus clips - ou i-clips, como propõe a MTV. Peraí, a idéia do negócio na web é bacana, mas e o conteúdo? De onde ele vem?
"Ah, transformar uma música gravada em CD ou cassete para o formato MP3 ou Windows Media é mole, usa o Codec e aí, blá, blá, blá". Essa foi a explicação de um desses colegas entusiasmados com as tecnologias de streaming media (transferência de áudio e vídeo pela Internet). Mas vai explicar isso para aquele cara de banda underground, que mal sabe usar os recursos do e-mail?! Tem gente que nem sonha em saber o que é Napster, e tem amigos meus que não vivem mais sem ele.
Uma vez que o Cucaracha tem uma filosofia questionadora, vamos pensar um pouquinho: quantos brasileiros possuem micro computador com ou sem acesso a internet? E dessa minoria, quantos são integrantes de uma banda e mexem a bunda pra fazer alguma coisa - esse é outro problema, geralmente um cara é quem corre atrás de tudo, mas discutiremos em outra ocasião - como, por exemplo, converter músicas para MP3? E vou além. Quantas bandas gravam uma demo ou CD por mês? Sim, por que se não tiver o básico, que é a música gravada, nem adianta viajar mais alto.
Na minha humilde opinião, a música digitalizada ainda não é uma febre no Brasil como nos EUA, onde pela primeira vez a palavra "MP3" apareceu mais vezes nos sites de busca do que "Sexo". Pelo contrário, por enquanto é só uma dorzinha de cabeça.
Escreva e dê a sua opinião, democracia é isso aí.
O carioca Pedro de Luna escreve a coluna Tangerina no jornal International Magazine, colabora com a cultura alternativa e está trabalhando em SP. Além disso é camarada do Maxx, desde que editava o zine Shape A.
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