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Planet Hemp, ao Vivo em Salvador
Por Luciano Matos (lbmatos@e-net.com.br) Salvador, BA
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Eles já foram presos.
Acusados de fazer apologia a drogas.
Impedidos de realizar shows em Salvador e em outro locais.
Mas estão longe de ser coitadinhos.
Falam de maconha em suas músicas, xingam a polícia, detonam políticos. Eles não são uma banda de rock, de samba ou de hip-hop. Ninguém se importa.
Pelo menos não as cerca de 5 mil pessoas que presenciaram um dos primeiros shows do Planet Hemp depois do lançamento do terceiro CD, "A Invasão do Sagaz Homem Fumaça", e último antes de uma turnê pelos EUA. O show fechava a primeira noite do 9 Garage Rock festival. Foi detonação pura.
As últimas apresentações da banda em Salvador aconteceram em um local de difícil acesso (a casa de shows do maior traficante da cidade) e a divulgação foi feita boca-boca, isso tudo por que os shows anteriores tinham sido proibidos por um delegado "filhote" de ACM.
Era praticamente a primeira apresentação da banda depois de anos. E que show. O público estava ensandecido, desde o primeiro acorde entupiram a frente do palco e invadiram o fosso, reservado nos outros shows para imprensa e para separar a platéia das bandas. Os cerca de 25 seguranças ficaram atônitos quando perceberam que não seria um show normal. Para muitos era uma celebração e ao mesmo tempo várias pessoas subiam ao palco para abraçar, beijar e tentar falar com os ídolos, especialmente Marcelo D2.
A banda estava entre assustada e radiante com a invasão, era inesperado e eles se entreolhavam como se não acreditassem que seria tão forte a volta deles para uma turnê em Salvador. Não deixaram por menos, ao comando de D2 e B Negão lançaram vários hits que o público acompanhava em delírio. A solução encontrada para mesclar os sucessos dos dois primeiros discos com as novas músicas foi realizar pout-porrits. "Dig Dig Dig", "Mantenha o Respeito" e "Legalize Já", as mais celebradas, eram executadas ao lado do material novo como "Gorilla Grip", "HC3", "Ex- Quadrilha da Fumaça", "A Invasão do Sagaz Homem Fumaça" e "Procedência CD". Não faltaram homenagens, na cover "Samba Makossa, de Chico Science & Nação Zumbi, além do próprio autor da música, foram reverenciados os sambistas Moreira da Silva e João Nogueira, recém-falecidos, além de Jovelina Pérola Negra. A Polícia também foi lembrada, na junção de "Test Drive de Freio de Camburão" com "Porcos Fardados". A mistura de hip hop, hardcore, reggae e samba funcionou perfeitamente, agradando e agitando as pessoas presentes na Concha Acústica.
No fim, nem houve tempo para a tradicional saída pro camarim e a volta pro biz. Foi direto, sem sair de cima, com a banda visivelmente eufórica por voltar pela porta da frente com um show excepcional.
"Esse é o melhor show da gente aqui", segundo o próprio D2 durante a apresentação. E só terminou pela imposição do horário de funcionamento da casa. É o começo da invasão da ex-quadrilha da fumaça.
Luciano Matos - é jornalista, zineiro, fotógrafo e guia nordestino do Cucaracha Zine.
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