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¡¡¡Próxima Estacíon: Esperanza!!!
por Matias Maxx (matias@cucaracha.com.br)

Cucaracha Zine conferiu " Proxima Estacion Esperanza", o muito aguardado segundo álbum solo do andarilho Manu Chao, ex vocalista do Mano Negra. Nas dezesete faixas Manu consegue provar que apesar de seus passeios pelos Andes, Santa Tereza, Africa ou Tijuana ele não deixa de ser um Francês e celebrar a pilantrice peculiar desse povo em sua nova obra que numa primeira ouvida confunde, mas nem por isso deixar de ser sensacional.

O Mano Negra começou como uma banda de rock francesa, com uma sonoridade tão estranha quanto suegria o rótulo. Em patchanka combinou música de cabaré com fúria punk mas não consegiu disfarçar o suingue do miscigenado. No decorrer dos seus discos a banda gravou em vários idiomas, assimilou muitos novos ritmos, explorou várias fronteiras em turnês impressionantes e acabou por causa de um caso extraconjugal. Fruto direto disso foi "Clandestino", o diário dos anos seguintes de Manu Chao ao fim da banda, que continuou viajando e assimilando culturas e construiu um disco de colagens destas culturas com uma linha ideologica e melancolica.

Em formato e linguagem, " Proxima EstacionŠ" segue um conceito similar ao de "Clandestino", com muitos Loops, Samplers e idiomas. Em algumas faixas, Manu repete as bases de "Bongo Bong" (na fabulosa " Bobby Marley" e duvidosa " Homens" ) e " El Viento". No entanto o clima melancólico de paixão recém perdida do primeiro disco é substituido por uma clima de fanfarronice típico dos solteiros que se recuperam do baque de um amor perdido e juram nunca mais se apaixonar.

O disco abre maravilhosamente com "Merry Blues" um reggae empolgado que tras de volta o tema da Malegria, mas com muito mais otimismo e canabismo, afinal trata-se de um disco para esperançosos. Em seguida o disco encara o frenesi de sua primeira dobradinha: "Bixo" e "Eldorado", ambas em portunhol, a primeira contando as terríveis histórias do Bicho do Côco, o ladrão de ilusões, com direitos a samplers de funk, e a seguinte um relato simples e direto: ("Que Paso!? Que Paso!? / O Caipira Plantou! / Que Paso!? Que Paso!? / A Policia chegou! / O Sem-terra murió! / Que Paso!? Que Paso!? / Chacina do Eldorado / O político falou! / A Globo Relatou! / Y en Pizza se acabó!").

Assim como a repetição de elementos no decorrer do disco, Manu curte fazer dobradinhas, músicas compostas em pares, que se emendam. Em " próxima estacíon eperanza" não temos música com esse nome como no show, mas temos a frase repetida várias vezes no decorrer do disco. A dobradinha que promete mais teor radiofónico é " La primavera" com uma gostosa letra sobre fusos horários e o pequeno tamanho do mundo e "Me Gustas Tu", uma declaração para todas as amadas de manu, maryjuanas o colombianas. ("Que voy hacer je ne se pá!? / Que horas son mi corazón!?"). A rádio relógio cubana faz a sua interferência saudável no som.

Retomando o espirito Punk-Cabaré de Patchanka rola a dobradinha "Trapped by Love" e "Rendez Vouz". O idioma arabe volta ao repertório do cantor na seusual "Denia", contagiante e fanática.

Manu Chao é ideal para ouvir sob efeito, com amplo desejo de deixar seu corpo entregar-se ao ritmo, e a cuca a reflexão de sua posição no mundo, naquele exato momento. O que Manu faz é uma espécie de jornalismo em forma de música, relatando o momento registrado como numa fotografia. Em 1998 o cara tava falando de tratado e kyoto, imigrantes ilegais e de uma terra que merecia viver sem fronteiras e opressores. Em 2001 continua destilando contemporanedades como o mal da vaca loca e a guerra contra as drogas.

Nos vinte anos de sua morte o mestre Bob Marley ganha seu melhor tributo, "Bobby Marley" versão melorada de "Mr. Marley" música do single de Bongo Bong, na qual Manu pede emocionadamente ao mestre do reggae uma bela canção. ("Hey bobby Marley, sing something good to me / this world go crazy! / it's an emergency!"). Mais emocionante é a introdução da música, que fala de sonhos de realidade e liberdade que temos em nossos momentos de solidão e introspecção.

"Promiscuity" é uma porralouquice manonegrica que em versos simples em inglês distinge sexualidade de promiscuidade e natalidade de hipocrisia. "Mi Vida" tem aquela onda andarilha afirmada com a melodia de "El Viento". Som de sobrevivente que supera seu máximo todo dia, agarrando tudo e sem tirar o olho do horizonte na extremidade de sua estrada.

Bem perto do final, o disco ganha um calor caribenho transmitido através das maravilhosas "Papito", "Chinita" e " La Marea". Sexualidade, mar cristalino, maré alta, boa comida e companhia. "Chinita" tem a intimidade gostosa que gozam os recém apaixonados e "La Marea" parece transmitir o furor festivo de uma orgia banhada pelas ondas, mas fala de uma civilizacão afundando em sua própria maré, enquanto "Papito" é ingenuamente sacana...

"Homens" é a participação de Valéria no disco do Manu, essa mesmo, a musa capoeirista de Santa Tereza imortalizada na canção "Minha Galera". Trata-se de um rap em português com a base de Bongo Bong que até tem uns versos bem interessantes mas resvala-se na repetição e forçasão.

Antes de " infinita tristeza" encerrar o disco conferimos a divertida " Vaca Loca", já conhecida pelos espectadores brasileiros que tiveram a felicidade de conferir a turnê de Manu ano passado.

Bailemo todo hasta el finalŠ hay vay! Hay vay hay vaca loca hay vay!

Samplers, re-interpretações e colagens vão transformando-se em "Infinita Tristeza" faixa que reveza experiências sonoras transcedentes com aulas didádicas sobre o nascimento dos bebês. "Proxima EstacionŠ" está para os calientes devaneios do caribe como "Clandestino" está para as místicas trilhas andinas. É um disco de melodias tocantes, recheado de detalhes e auto-referências, que só pesacaremos após inúmeras releituras, até o cara preparar a próxima bomba. Até lá Cucaracha Zine te deixa informado!

MATIAS MAXX (matias@cucaracha.com.br) é editor deste zine já tropeçou no Manu algumas vezes...

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