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Conheci o Cypress Hill no show deles na praça da Apoteose em 1996, me amarrei de cara porque diferente da maioria de grupos de Gangsta Rap yankes que eu conhecia esses caras pareciam saber um pouco mais do que estavam falando. Pareciam, porque na real apesar de comprar vários discos dessa banda eu nunca entendi direito o que eles falavam, eu só sei que falavam de maconha e bandidagem californiana, e se as vezes eu não entendo a bandidagem local, eu vou entendera bandidagem californiana? Eu me amarro em hip hop, sobretudo o nacional, que ainda mantem em seus quatro elementos ritmo, atitude e poder, diferente de muitos yankees que só fazem pose. Bah! queria ver esses caras fazendo um "estágio" em qualquer canto do terceiro mundo, queria só ver...
Dai eu descobri "los grandes exitos en español", muito clássico! 12 regravações de clássicos do Cypress Hill, mais duas inéditas tudo em espanhol, finalmente entedi o que esses caras tem pra falar, e curti. Além das letras novas, as bases receberam uma roupagem nova, com direito a cornetinhas chicanas e tudo mais. A arte da capa e do encarte do álbum (uma caveira dentro de um elmo maia, totens macabros e pirâmides emergindo dentre prédios) já entrega o conteúdo explosivo à revanche nada silenciosa de uma nação maltratada durante séculos sobre a babilônia moderna. A Babilônia que dizimou uma nação inteira, sugou todos seus recursos, limitou seu crescimento e construiu dois muros eletrificados (um na fronteira, um na cuca das pessoa,s na forma de preconceito) é a mesma que hoje sofre com as consequências, as máfias da imigração clandestina e do tráfico de drogas, plantas de poder que só trazem problemas por serem proibidas.
Destaque para "Tequila" versão mais que clássica de "Tequila Sunrise" que conta a história da iniciação e da acenção de um jovem da raza no mundo do crime, aonde por mais espírito guerreiro que se tenha a única certeza é a de um dia morrer com os olhos vermelhos. Quem curte a banda também vai se amarrar nas três primeiras músicas do disco: "Yo quiero fumar" (i wanna get high), "Loco en el coco" (Insane in the Brain) e "No entiendes la Onda" (how i could just kill a man), faixas competentes, hipnóticas e agressivas. Outro destaque vai para "Puercos" (pigs), aonde cada cana tem seu perfil tarçado ("este puerco mato mi compa y se fue de vacaciones / este es un narco / este trabaja para la máfia haciendo dinero de las drogas / ...le van cortar la boca"), basicamente bandido falando daqueles que optaram seguir o outro caminho do mundo do crime, o caminho suportado pelo estado falido. Mais uma certeza de que todos os caminhos levam pro mesmo lugar.
As músicas inéditas são "Tres Equis" (referência à "XX - dos equis", cerveza pilsen mexicana) e "Siempre Peligroso", a primeira tem quase dois minutos de base suingada e papo sacana (quase um 0900), a segunda é completamente hipnótica, aditiva (só perdendo pra "yo quiero fumar") e macabra. Marrenta porque rap bomzinho não existe, papo de quem se garante, já viu demais e não tem mais nada a perder.
Costumam comparar o Cypress Hill ao Planet Hemp, de fato há algumas semelhanças, o olhar das ruas, o hip hop, a ganja, a Sony Music e mais recentemente a participação de Sen Dog em "Quem te. No entanto as diferenças vão além do som (o Planet tem banda, o Cypress o DJ Bobo), porque embora ambas as bandas concordem que nunca se deve abaixar a cabeça e tem a certeza de que correm riscos por isso a luta do Planet Hemp é manter-se vivo já o cypress aparentemente tomauma postura mais suicida... Aparentemente, sei lá, os caras do Planet eu conheço, os do Cypress não... vai saber!
Matias Maxx é editor deste e-zine e sempre coloca "los grandes exitos..." quando arrisca de DJ.
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