|
djangobroder no rock in rio:
-- 21 de janeiro de 2001, 17:03
-- 21 de janeiro de 2001, 02:07
-- 19 de janeiro de 2001, 23:33
-- 18 de janeiro de 2001, 01:35
-- 13 de janeiro de 2001, 01:17
-- 12 de janeiro de 2001, 23:18
Especiais:
-- FREAK SHOW por Cecilia Gianetti
-- O TEMPO NÃO EXISTE por Alexandre Matias
-- É COISA PRA LÚCIDO? por Fábio de Castro
* * *
O sonho do infeliz é ser polícia, só que o cara é tão desastre que não consegue. Dai ele resolve ser segurança, quando o assunto é show de rock então... fudeu... lamentável!
Mas tudo bem, ninguém corta minha onda, ainda mais hoje, o dia mais Grateful Dead do festival. cabelos e roupas coloridas, tatoos, dreads e piercings, aquele cheiro de sempre e uma ameaça de chuva...
Hoje vai ser de fuder!!!
[]´s Maxx -- cidade do rock, 21 de janeiro de 2001, 17:03
* * *
genética a favor do bem-estar social
Quando estava no segundo grau e era fascinado por biologia, me lembro de várias aulas a respeito do projeto genoma. agora pouco tenho lido a respeito nos jornais... Quer dizer, ano passado, nestas ultimas semanas eu só tenho lido as noticas sobre o rock in rio. Justamente as que estão nas capas dos jornais. Parece que nada mais acontece no mundo...
Um fotógrafo Inglês passou a bola prum brother, que reuniu um trio para uma expedição psicotrópica. Era dificil de queimar e tinha tabaco no meio, mas o cheiro não era do hash, derivado cannabico muito popular na Europa. Logo logo, e por algum tempo, não fazia diferença o que estava nos jornais, nem ao nossos arredores. Não é que estivessemos perdidos, ou sem ter para onde ir. Acontece que nossa sublimação nos tonteava. Em seguido uns risos e aquele turbilhão de idéias...
é hora de decidir alguma coisa...
Neil Young no palco, trilha sonora ideal para ilustrar as histórias "de meu velho amigo texano que viajou dos grandes lagos a fronteira mexicana, e da costa dourada a nova york, sempre acompanahdo de sua velha guitarra blues..."
Eu prefiro teclar meu caminho pela grande rede... Depois de amanhã tudo volta ao normal. Mas isso não nos torna mais perto do epílogo.
[]´s Maxx -- _\|/__\|/__\|/_ cidade do rock, 02:07 21/01/01
* * *
TORRE DE BABEL
Minutos de silencio marcaram o constrangimento que foi o inicio da entrevista coletiva do Sepultura. Pra começar não tinha interprete, afinal tratava-se de uma banda "brasileira", no entanto, diferente das coletivas com bandas brasileira,s o numero de imprensa gringa era altissimo. Respostas em inglês para os gringos e em mineireis para a imprensa catupiry. O bizarro foi um chileno que perguntava em espanhol para receber respostas em inglês de Andreas Kisser.
Derrick quase nâo falou. Os mineiros disseram que só agora, em "Nation" Derrick estava de fato na banda, uma vez que ele entrou no sepyltura numa época deveras confusa. "Não conheço o Max, max conheço o Sepultura de Max, não vejo problema algum em cantar suas músicas, mas prefiro desenvolver meus próprios trabalhos..."
Agora pouco, o que pegou mesmo foi "Refuse Resist". Fazer o que!?
De qualquer maneira, em Março, chega aí o Nation, que segundo Andreas Kisser é um album conceitual, "trata-se da construição desta nação, sem fronteiras, guerras ou armas. é um conceito que começamos há um ano e meio, a arte do album remeterá a propaganda comunista e os fãs irão as ruas para promover o álbum"
Profético!
Maxx -- cidade do rock, 23:34 19/01/01
* * *
A noite teen é aquela coisa... Meninas por toda parte, na frente fas com posters, mais pra trás só passinhos e cantarolagem. Muitas crianças, acompanhadas de seus respecitvos pais. Normalmente circulo pela cidade do rock com a credencial escondida... pra não chamar atenção, principalmente dos seguranças. Hoje fiz qiuestão de usar, pra se esbarrar com algum conhecido ele ver que eu estou alio a trabalho.
Mas bah, que cara que eu conheço que vou esbarrar aqui? Só a galera que também tá trabalhando e uma ou outra criatura da faculdade... pior que não... pior que vi uns caras que nunca imaginaria... sabe lá...
De qualquer maneira, por mais terrivel que possa parecer o mais divertido de hoje são os recados do apresnetador do festival. O sujeito num carioqueis desleixado pacas avisa que existem 200 crianças perdidas, aguardando seus pais no juizado de menores, "elas estão em prantos, chorando, e aguardahndo seus pais aparecerem. Pô senhor responsável, essas crianças tambpém querem ver o show..."
Bizarro... Será que algum pai foi lembrar de 1985 e "sequelou?". Ou será que trata-se de irmãos mais velhos fanfarrões e sacanas!?
Alias, preciso contar pra vocês meu episodio paparazzi, atrás de uma foto do biquini da Britney... Ha! Eu cheguei mais perto!
habla serio!!!
[]´s Maxx -- cidade do rock, 01:33 19/01/01
* * *
Ou editor me disse uma vez que "o fotógrafo é o baterista do jornalismo" pra isso eu só tenho uma resposta: "pois é, mas a gente chega mais perto!". Click! na veia, só quem tem sabe como é que é, a sensação de estar no pit, de um lado o calor fanático do público e de outro a empolgação-tensão-tesão da banda.
E ainda tem aquelas gatinhas que estão tostando desde meio dia no gargarejo...
Um abraço para todos os colegas na missão! Gustavo Caldas! Marcos Bragato, Marcos Hermes, Valéria Rossi e muitos outros... Publicar uma foto é imprimir sua visão ´pro pueblo todo. Nesta cobertura online transmito impressões. Mais um tempinho e a gente junta tudo... Por que o esquema é este faça, você mesmo, de um monitor para o mundo. Arríba Los Que luchan!
***
O sanduíche de Tomates Secos é otimo, a pista eletronica idem, só que hoje é dia de trance. E depois de um par de revellions em trancoso e "n" raves eu tou legal... pelo menos assim, de cara!
Amanhã tem Kool Herc, patrono do Hip Hop. Rola também aquele caipira homonimo de barato...
Depois der James taylor, Jair Rodrgues, o pai do Jairizinho, que como o Luis Melodia, sambou bonito. Sérinho, altos passos...
na sequência, Daniela Mercury no palco principal. Tipo assim, a mina pode ter numa época perturbado geral com o seu Axé. Aliás por muito tempo ela era o Axé... A gente reclamava, na real era feliz e não sabia. Diferente de toda a demais lixo-music baiana, Daniela não é um caça-níquel, neste ano inovou, tocando um trio-rave no carnaval de Salvador e hoje apresneta-se no rock in Rio, belíssima...
O legal é que pra todo lugar que você olha você vê sorriso.
E sorrir é uma das coisas mais gostosas que se tem pra fazer na vida.
[]´s Maxx -- cidade do rock, sábado, 13 de janeiro de 2001, 01:17:14
* * *
A vida é bela mas o ano é dois mil, aliás dois mil e um. Finalmente "Siglo Veinte". Sem caô... mas sempre tem aqueles que complicam. Hoje a discussão é... Ano que!? Anos Zero? ou década de dez?
Foda-se! A boa é que na década de noventa eu curti muito som. E que desde 1993 eu comprei discos, assistivários shows. Underground e Mainstream. Fiz Fanzine e li o Rio fanzine... Conheci milhares de pessoas e li a Bizz.
No ano dois eu cliquei e escrevi pra Bizz. E pro Rio Fanzine. 2000 foi lindo. e 2001 começou melhor ainda, mas no momento a missão é npo rock in rio, faço parte da equipe da showbizz. escalado para cobrir o palco brasil, coletivas, doideiras...
Como o país é do carnaval, o espetáculo é gigante e maravailhoso. Mas também uma bagunçca só. Carnaval! carnaval! Rock in Rio!
Eu ouvi histórias de sapatos perdidos na lama, e amores conquistados após viagens de pau-de-arara. O clime é este mesmo. gente animada, chope gelado, grama, confusão e um cheirinho gostoso no ar. Mas cuidado que por mais malandro que sejas tem atividade geral.
O Milton nascimento fez um show "bovíno" segundo meu editor. De fato... Os três minutos de silêncio eu passei no engarrafamento, e o ponto máximo do show do Gil foi quando ele tocou "A novidade" e em seguida "Is this Love"... Clássico... Cliquei o Melodia no palco Brasil e também o James Taylor no palco terra...
Hoje a tarde teve exclusiva com Foo Fighters...
O Dave Growl faz caretas e o batera gracinhas, é um fanfarrão... Pés descalços, cervejas, cigarro, risada... O backstage tem academia. Do Rock in Rio 2 eu só me lembro das listas de exigências. Valéria Rossi, uma amiga minha que clicou muito tempo lá na Europa disse que lá fora artista faz concentração no onibus da produção.
Rock´n´Roll!
O Brasil é o País do carnaval!!
[]´s
Maxx -- _\|/_ _\|/_ _\|/_ -- Cidade do Rock, sexta-feira, 12 de janeiro de 2001, 23:18:02
_\|/_ _\|/_ _\|/_
* * *
FREAK SHOW
por Cecilia Gianetti
Quem não passou os últimos anos em uma cápsula espacial sem qualquer contato com o que vem acontecendo em rock e pop pelo mundo já esperava que a alardeada volta de Axl Rose, exumado para o Rock In Rio Por Um Mundo Melhor, trouxesse ao palco do evento momentos constrangedores. Um show com sabor de revival pré-grunge é no mínimo dispensável a esta altura do campeonato.
Mas não para o público que lotou a Cidade do Rock no Domingo passado para ver o Guns and Roses "reformado" e aplaudir as mesmas músicas que conferiu na segunda edição do Rock In Rio, em 1991. A MTV norte-americana enviou Kurt Loder, a imprensa estrangeira compareceu em peso para checar a ressurreição e a imprensa local deslumbrou-se com a velha fórmula de Axl.
Ele aterrissou no Rock In Rio com um freak show que ficaria muito bem encaixado na programação do circo que se apresenta na Tenda Eletro da Cidade do Rock, caso o ator Marcos Frota, responsável pelas atrações circenses, abrisse espaço para aberrações.
Quando, pouco antes do espetáculo, eu soube que o set list de Axl e sua turma incluiria "Sossego", de Tim Maia, tive que descartar a informação como coisa puramente inconcebível, ficção científica ruim, uma brincadeira de mau gosto do colega que tinha visto o roteiro do show. Os primeiros acordes do que a banda acreditava ser sua versão de "Sossego", de fato, soaram, e então achei que estava participando da primeira pegadinha preparada para atingir mais de cem mil otários. O amontoado de notas desconexas na guitarra tentava parecer "Sossego", mas falhava em seu intento na mesma proporção que um avestruz tocando o instrumento teria falhado. Um circo, que hipnotizava a platéia pela mediocridade de um frontman deslocado no tempo e de um guitarrista chamado "Buckethead" (cabeça de balde), que trouxera na bagagem um balde da Kentucky Fry Chicken especialmente para colocar na cabeça durante o show. Efeito cômico? Desnecessário, diria até over, diante das versões requentadas de um repertório ultrapassado que já davam pra boas risadas. E eu até teria rido se o chopp não estivesse quente e tantas pessoas não estivessem aplaudindo.
Em certo ponto, não aguentei e, por mais que uma voz me dissesse "fique, você precisa assistir tudo pra depois poder falar mal de cada detalhe", minha aversão pelo que acontecia no palco e a reação positiva da platéia (lembra aquela história dos zilhões de moscas que não podia estar erradas?), levaram-me a passear. Refugiei-me na Tenda Eletro para expurgar o voodoo da lamentável apresentação do Guns mas infelizmente voltei ao gramado ainda a tempo de assistir à novela mexicana que ele impôs à platéia, chamando ao palco sua assistente pessoal e contando como ela o salvou. A mulher chorou e eu quase chorei também. Afinal, o público continuava aplaudindo.
* * *
Mudando do freak show para um show de música, falemos de Jair Rodrigues. Esqueçam Milton Nascimento, Gilberto Gil, James Taylor e toda a patota que induziu a platéia a um profundo sono coletivo na abertura do festival. Jair Rodrigues, com modestos diria até injustos 20 minutos de apresentação marcados para a Tenda Brasil, levantou o público e por ele foi levantado. Desceu do palco duas vezes, sambou entre a platéia, que chegou a exigir outro bis depois do bis (!) e conseguiu estender o show por mais dez minutos.
O público aqui é uma massa imprevisível, mas ainda é visto como gado. E ao gado não são oferecidas novidades, mas certezas de grandes sucessos comerciais. Há quem sinta emoção ouvindo "Welcome to the jungle" executada por um Guns and Roses cheirando a formol, quem goste de Jair Rodrigues, Beck, Queens Of The Stone Age, e até de bandas independentes nacionais. Há quem pague uma nota preta importando CDs que só serão lançados aqui no Brasil dois anos depois de estarem nas prateleiras gringas. Tem pra todo mundo, enfim.
São segmentos distintos de público, que carecem de um mercado fonográfico segmentado. Falo de música citando o crítico de cinema Juliano Tosi, da revista Contracampo, porque a febre do milhão existe tanto na nossa indústria fonográfica quanto no cinema nacional:
"Público é o MEIO de uma obra conquistar seu espaço, de fazer o que tem a dizer chegar às pessoas; público não é o FIM, como querem os correntistas do supermercado cultural". E temos dito.
Cecilia Gianetti (valsa@imagelink.com.br) é do Roque!
* * *
O TEMPO NÃO EXISTE
por Alexandre Matias
Neil Young e o Crazy Horse fazem um show histórico no Rock in Rio 2001
"Você é como um furacão Há calma em seus olhos E eu estou sendo levado Para algum lugar mais seguro Onde está o sentimento Quero te amar Mas estou sendo levado" (Like a Hurricane)
Quando Neil Young deixou o palco quase às três e meia da madrugada de domingo, o público presente sabia que havia assistido um dos maiores shows de suas vidas. Com sua rara percepção sobre a existência humana, o velho caubói conduziu os mais de cem mil espectadores da noite mais tranqüila do Rock in Rio 2001 a um universo paralelo, onde rock e realidade podem ser a mesma coisa. Esqueça a entrega messiânica do R.E.M., o freak show de Axl Rose e o teatro épico do Iron Maiden. Quando Young e seus velhos companheiros do Crazy Horse subiram ao palco, fizeram uma apresentação antológica, um dos melhores shows de rock já vistos no País. Em pouco menos de duas horas, o velho Young nos mostrou que é possível fazer rock e dizer a verdade, ao mesmo tempo.
Por que a verdade? Porque todos os aparatos do showbusiness se esfacelam à presença do pistoleiro sonoro. O Palco Mundo, hi-tech e hiperbólico, se tornou uma simples garagem caipira, com quatro peões trocando horas de ócio por um exercício artístico superior, onde melodia e barulho fazem parte da mesma linha lógica de raciocínio. Young abre mão de conceitos civilizados e medidas de tempo e espaço, transformando onde quer que esteja em seu pequeno e preciso mundo particular. Aqui, o instinto é a razão e a natureza é o fluxo vigente. Seja no maior festival de rock do mundo ou no quintal de sua casa, o velho bardo canadense não precisa de nada além de sua guitarra para explicar como a vida é simples.
Quando adentrou ao palco principal, colocou o público presente nesta realidade alternativa. A imagem, finalmente palpável a olhares brasileiros, era um clássico perene: quase dois metros de altura, um jeito desengonçado de tocar guitarra (pernas arqueadas, passos largos e trôpegos, entortando-se para os lados à medida que distorcia o som), camiseta de banda (o equivalente norte-americano de camiseta de candidato, no caso, da banda inglesa Placebo), calça jeans e um estratégico chapéu de caubói. Nas mãos, uma coleção de guitarras Gibson Les Paul tão clãssica quanto o dono. Entrou acompanhado de sua corja de bandoleiros musicais: o rotundo guitarrista Frank Sampedro, o baixista Billy Talbot e o baterista Ralph Molina. Vestidos como se estivessem indo para mais uma noitada em um bar de beira de estrada, o grupo começou a aula com Sedan Delivery, do clássico-mor Rust Never Sleeps.
Para delírio do público, a banda emendou o Hey, Hey, My, My (Into the Black), hino country rock de celebração rock'n'roll, cantado em uníssono pela turba. Entre uma música e outra, a banda se entregava à desconstrução sonora, à distorção contemplativa, ao ruído em estado bruto. Era didático: não há diferença entre ordem e caos quando se vive a vida do jeito certo, aproveitando cada minuto, degustando cada experiência, sorvendo sentimentos e sensações independentes de sua origem.
"O amor e só o amor sobrevive", canta com sábia experiência o cristianismo caipira de Love and Only Love, "o ódio é tudo que você acha que é". A sabedoria se esconde nas entrelinhas de uma velha canção sertaneja, que canta o amor e o ódio com a mesma intensidade. A microfonia arrefecia para a brisa campestre do country americano, dando a deixa perfeita para a belíssima e clássica Cinnamon Girl, de seu primeiro disco com o Crazy Horse (Everybody Knows This is Nowhere, de 1971). Cada música terminava com uma seqüência de acordes bradados num mesmo ataque, como se toda vez pronunciassem um fim épico. Mas a música crescia a partir dos pedaços de ruído trepidados pela banda e inevitavelmente a coda de barulho tornava-se uma canção à parte, sem refrão, letra, introdução, solo: apenas uma parede de ruído, como se, ao desvendasse a alma por trás do esqueleto formulaico de cada uma das faixas. Nas filigranas da microfonia, poesia indizível, sentimento intraduzível, força que não se fala - se sente.
Fuckin' Up voltou ao território do rock em estado bruto, para o melhor momento do show - e da minha vida neste meio, embora vocês não precisassem saber disso. A seqüência Cortez the Killer e Like a Hurricane e traduzia toda a força natural de Neil Young: a primeira faixa trazia seu hino maior de amor aos povos ditos primitivos, contando a história do colonizador Hector Cortéz, que dizimou a população asteca após ser bem recebido pela mesma. A segunda (com Sampedro ao teclado), sua maior balada de amor, a dura e recofortante constatação que amor carrega o bem e o mal, o hoje e o sempre, o pequeno e o grande. Ambas músicas se misturaram, num épico sem duração. O relógio - essa maquininha que inventamos para regrar o que não tem regra - marcaram 23 minutos ao todo, mas durante estas duas canções, o tempo parou, estático, e Neil Young o segurou na mão (com os dedos sangrando), como uma pequena e opaca gema bruta. Impossível segurar as lágrimas. Rockin' in the Free World veio de brinde, para sacramentar a geração grunge (foi gravada pelo Pearl Jam) e calar a boca do lema piegas do festival. Mundo melhor, quis dizer Young, é um mundo livre. Keep on rocking.
A banda saiu e voltou com a excelente Powderfinger, outra de Rust Never Sleeps. "Me proteja da pólvora e do dedo", berrava a familiar voz esganiçada, "cubra-me do pensamento que puxou o gatilho/ Pense em mim como aquele que você pensava que não iria embora tão jovem, com tanto a fazer". A contrapartida, Down By The River (também de Everybody Knows...), veio em seguida, fazendo o público brasileiro cantar numa só voz o pesar da culpa de um amor mal resolvido. Felizaço, agradeceu ao público com a última, o libelo feminista Welfare Mothers. Ergueu sua guitarra com um largo sorriso e bateu no peito, sem dizer uma palavra ao público. Não precisava.
O tempo voltou ao normal quando as luzes acenderam, mas a lição havia sido profetizada. Para que peder-se com bobagens como dinheiro, fama, sucesso e sorte se tudo que precisamos para viver está dentro de nós? Basta descobrir o amor à vida e cultivá-lo - mas para isso, é preciso que largar tudo e voltar para o campo, pegar a esposa e demitir o emprego, plantar o dia e colher a noite numa safra atemporal. Viver é simples.
SETLIST
Sedan Delivey Hey, Hey, My My (Into the Black) Love And Only Love Cinnamon Girl Fuckin' Up Cortez The Killer Like a Hurricane Rockin' In The Free World Powderfinger Down by the River Welfare Mothers
Alexandre Matias (matias@cpopular.com.br) é jornalista, editor e violonista.
* * *
É COISA PRA LÚCIDO?
por Fábio de Castro
Não sei legal, mas as coisas mudam, dizemos que elas já não são mais como eram antigamente, mas elas continuam maneiras pra KCT, elas continuam as mesmas. E insistimos em dizer que mudaram. Mudaram sim, mas se ainda estão maneiras mudaram de um jeito que não faz diferença, e continuam rolando. Rock in Rio III me deu, a princípio, uma sensação de "vai ser mó merda". Tomei-lhe rasteira das minhas palavras. Show de Rock não é feito de bandas. As bandas são indispensáveis, mas não são o oxigênio do show. Um "horizonte" já é uma parada que impressiona, bastante, pois é algo finito em extensão porém infinito ao coração. Poética é a sua bunda! LOUCOS DE VÁRIOS LUGARES DO MUNDO. O Rock é no Rio, mas parecia uma colônia terráquea em outro planeta. A porra do horizonte do qual falava era o monte de cabeças que haviam no lugar, muita cabeça, nenhuma confusão. Muita gente drogada, nada de violência. A violência é aquela que é praticada com quem é drogado ou é da prática de quem se droga? Nem Bispo Macedo junta 250.000 cabeças sem permitir que role uma porradaria.
Banda ruim pra KCT, banda boa pra KCT. Banda em que ninguém se liga, banda composta por gente inteligente, que usa de uma puta inteligência pra agradar aos ouvidos da rapaziada geral, que muitas vezes não reconhece o sacrifício à própria vida que faz um músico. Pensa aí ô filho da puta, se é fácil, quando você ainda não é nada, acreditar que vai ser alguma coisa em meio à milhares, e largar a porra toda pra tocar algum instrumento ou compor melodia ou letra, ou punhetar, o diabo mais que o for. Convencer tua mulher de que será capaz de manter uma família com as músicas que você compõe, punheta, cospe, ou foda-se, músicas nas quais você acredita e das quais você sonha tirar seu pão. Parabéns aos músicos geral, mesmo os mais merdas, tipo GUNS, foi mal galera. O guns pra mim é como são os pais para os filhos adolescentes em geral. Pô, eu adorava as idéias do meu pai até descobrir que ele era o maior careta. Eu achava o guns maneiro paca, até enjoar do filme "Exterminador do Futuro II" - Mudar de assunto.
Estar no meio de 250.000 pessoas, mesmo que estejam todas estas dormindo, já é sensação ímpar.
Estar neste mesmo meio, sabendo que a predominância é a da loucura, se fores louco, sabe do que falo.
Fábio de Castro Já por algum tempo não sabe mais quem próprio é.
|